Atuação Política
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Quando somos chamados a atuar politicamente, às vezes ficamos constrangidos e até indignados, pois não raramente, associamos a nossa atuação a tudo o que de ruim acontece na esfera política nesse país.
É como se fôssemos participar de algo pecaminoso e desprezível. A dificuldade de entendimento dessa missão tem impedido setores da igreja de se posicionar em defesa da vida.
Os princípios que orientam as ações de Prevenção, Intervenção, Recuperação, Reinserção Social dos dependentes, fazem parte da política da Pastoral da Sobriedade. Assim, se você participa dessa Pastoral, já está tendo atitudes políticas, pois, tanto as palestras sobre drogas realizadas em escolas, nas comunidades, ou mesmo os avisos incluídos nas missas, como o acolhimento, os encontros dos grupos de autoajuda, os esforços para reintegrar os dependentes na família e na sociedade, são ações políticas da maior importância em defesa da dignidade humana. Ser agente da Pastoral da Sobriedade é ser um agente político, por excelência.
Quem desenvolve em si e nos outros a cidadania, fundamentada na ética, na justiça social, na fraternidade e na solidariedade, está plantando a sociedade segundo o Plano de Deus e, portanto, criando dificuldades para aqueles que tem o propósito de dividir e destruir, reinar como senhores deste mundo. Não há como clamar Vida sim, drogas não, sem lutar por profundas mudanças no modelo social vigente, gerador de empobrecimento da maior parte do povo, de exclusões e de esvaziamento do sentido da vida.
Se fomos chamados a agir em favor daqueles que sofrem, vivem na escravidão das drogas, do jogo e de outras dependências, devemos complementarmente às demais dimensões de atuação da Pastoral da Sobriedade (prevenção, intervenção, recuperação e reinserção social), ocupar todos os espaços de participação possíveis, para levar a mensagem transformadora da nossa Pastoral e, apoiados na pedagogia do “ver, julgar e agir”, contribuir com as mudanças que sabemos necessárias.
VER = Através do conhecimento e análise da realidade, devemos buscar a compreensão dos fenômenos sociais e comportamentais que levam ao uso indevido ou abusivo das drogas e a outras compulsões sociais.
JULGAR = Só podemos formar juízo, emitir opinião e propor ações corretivas sobre o que conhecemos e compreendemos.
AGIR = A ação transformadora dever ser desenvolvida dentro da dinâmica da fé cristã, baseada na caridade, no desejo sincero de servir e ocorrer nos três níveis:
- Da assistência (socorro imediato);
- Da promoção humana (resgate da dignidade humana);
- Do engajamento libertador (defesa dos direitos, da mobilização para a transformação social).
A nossa atuação política ocorre tendo como base os valores evangélicos. Afinal, somo igreja a serviço do evangelho da vida. Devemos seguir o conselho de Paulo dirigido aos Filipenses;
“Nada façais por competição ou por vanglória, mas por humildade; considerai os outros superiores a vós mesmos. Cada um procure, não o próprio interesse, mas o interesse dos outros. Tende os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo”.
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