Reinserção Social e Familiar
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Por inserção social podemos entender todo esforço realizado que tenha como meta integrar os consumidores de droga na comunidade familiar e social.
Num sentido amplo, as intervenções no domínio da Reinserção Social e Familiar visam tanto os consumidores de droga atuais como os mais antigos, tanto jovens, quanto adultos de ambos os sexos, os toxicodependentes “limpos” e os toxicodependentes usuários(ativos) das várias classes sociais, considerando os que são fragilizados pela pobreza e excluídos socialmente (os que não tem moradia e moram na rua), os que necessitam ou não de acompanhamento médico e psicosocial, os consumidores de drogas ilícitas, bem como o dependente de drogas lícitas e do alcoolismo. Soma-se a esta gama de destinatários da Reinserção Social e Familiar, as crianças, os jovens e adultos em conflito com a família e a lei e os portadores de HIV, que trazem em seu histórico a toxicodependência.
É necessário atuar em áreas bem definidas e integradas, ou seja: A educação (incluindo formação), a saúde e assistência social, a família e a Igreja.
A Reinserção Social e Familiar, primeira e última fase de um processo de tratamento e recuperação do dependente químico é talvez a mais difícil, pois supõe que o dependente apesar de ter passado por um processo de desintoxicação, ter aprendido a lidar com os momentos difíceis de “Fissura” (necessidade compulsiva de droga) e estabelecido novo vínculo de valores, ter resgatado através da interiorização, reflexão e oração a sua identidade pessoal, recuperado a sua autoestima e dado um sentido para a sua vida, constata que é um doente crônico, necessitando de uma radical reformulação de sua vida pessoal, social e familiar...
A Reinserção Social iniciada nas comunidades terapêuticas quando oferecem um tratamento completo, permitem o retorno em caso de recaída. Há comunidades que mantem um programa de acompanhamento posterior ao período de internação e outros, ainda, oferecem espaços de “regime aberto” ou “moradia para usuários em sobriedade e em fase de reinserção social”.
A sobriedade exigida do dependente químico em Reinserção Social requer que contiue ligado a comunidades terapêuticas, um grupo de autoajuda e outras formas de apoio, tendo consciência de que deste elo dependerá em muito e quase sempre o permanecer sóbrio e numa vida normal. É o que garantem as estatísticas.
Para a Pastoral da Sobriedade, a reinserção começa a partir do momento em que a família descobre que um de seus membros é dependente, mesmo que este não admita e aceite o tratamento. Neste primeiro momento, durante o tratamento e após a recuperação, a acolhida da família, a presença atuante e interessada, o encaminhamento, as visitas constantes ao dependente no período de internação em uma comunidade terapêutica idônea, a participação da família como codependente no grupo de autoajuda e a vivência dos doze passos da Pastoral da Sobriedade, concorrem para que a reinserção, o novo encontro ou retorno do dependente químico a sua família seja expressão do “Amor misericordioso do Pai que acolhe o filho com o coração aberto”.
Somente um amor incondicional é capaz de superar as dificuldades e libertar o coração para amar na medida da necessidade do outro.
A Pastoral da Sobriedade não vê outro caminho, senão o do coração, para reconstruir na família um lugar onde o amor de Deus e a proposta evangélica ofereçam novas forma de viver e se relacionar, um ambiente privilegiado para o retorno de um dependente químico em sobriedade.
É preciso saber trabalhar e até mesmo superar os conflitos familiares, a rejeição, os sofrimentos anteriores, as situações não resolvidas, o medo e a insegurança, para que não passe a olhar a família como um inimigo e volte a estaca zero.
Para o dependente químico, a Reinserção Social e Familiar contribui para a eficácia de seu tratamento, conduzindo-o a realização pessoal, ao restabelecimento da estabilidade clínica, emocional e social. Ao reestruturar a sua personalidade, sua vida e desenvolver suas capacidades, uma maior autonomia e responsabilidade, o fará sentir-se útil à sociedade, mais valorizado pelos outros e valorizará a si mesmo...
A descoberta de novos valores humanos e religiosos que combatem o vazio existencial, o desenvolvimento da autoconfiança e confiança nos outros, na vida em geral e na família são base para a reestruturação de uma personalidade madura, para o restabelecimento de relações harmoniosas e confiantes com as pessoas de sua idade e com os adultos e para a resistência as solicitações dos que propagem a droga.
Cabe à família acolher e acompanhar o dependente químico em reinserção social e familiar neste processo de reestruturação de sua personalidade como um todo, nas dificuldades para o engajamento e retomada da vida adulta, diante da falta de trabalho ou habilitação para o trabalho, recuperar o tempo perdido quanto ao estudo, a ocupação do tempo livre (e vazio), incentivar a prática de atividades esportivas e intelectuais, estas ações contribuem para a recuperação e elevação da autoestima, proporcionando e estimulando a formação de um novo circulo de amizades com padrões mais saudáveis de relacionamento.
Somente ações concretas, sólidas e amadurecidas pela experiência podem mediar com sucesso o retorno do dependente químico ou toxicodependente a uma vida normal, responsável e feliz.
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