Santuário Nossa Senhora da Piedade

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Nossa Senhora da Piedade

Arquidiocese de Sant'Anna de Botucatu - Lençóis Paulista SP

Nicodemos e a samaritana

Nicodemos e a samaritana

Após a primeira expulsão dos vendilhões do Templo, Nosso Senhor permaneceu algum tempo em Jerusalém. Certa noite, foi Ele procurado por um príncipe dos judeus chamado Nicodemos.

Resultado de imagem para Nicodemos e a samaritanaA Luz e as trevas

Era membro do Sinédrio e, com medo de perder sua reputação entre seus companheiros, foi encontrar-se de maneira oculta (cf. Jo 3, 1-2) com Jesus, que o atendeu bondosamente e manteve com ele uma conversa.

Embora Nicodemos fosse homem inteligente e com muita cultura, Nosso Senhor emprega nesse diálogo uma linguagem simples para exprimir as mais grandiosas ideias. Esta união da simplicidade e da grandeza proporciona às palavras do Divino Mestre uma majestade incomparável.

Jesus lhe fala sobre vários temas, entre os quais: o Batismo cristão, o Espírito Santo, sua Paixão, o Céu, os condenados ao Inferno e os bem-aventurados. E tratou a respeito do ódio que os maus têm contra os bons, simbolizados pelas trevas e pela luz.

Disse-lhe Nosso Senhor: “A Luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a Luz, porque as suas obras eram más. Pois todo o que pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da Luz para que suas ações não sejam denunciadas. Mas quem pratica a verdade se aproxima da Luz, para que suas ações sejam manifestadas, já que são praticadas em Deus.” (Jo 3, 19-21).

Inimizades entre os bons e os maus

A inimizade entre os bons e os maus está consignada num trecho do Gênesis que, devido a sua transcendental importância, é chamado Protoevangelho: “Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua posteridade e a posteridade dela. Esta te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3, 15). O pronome “ti” designa o demônio, o chefe dos maus, e o substantivo “mulher”, a Santíssima Virgem, a Rainha dos bons.

Algum tempo depois desse contato com Nicodemos, Jesus foi ao Templo por ocasião da festa das Tendas, e os fariseus quiseram matá-Lo. Então Nicodemos, já movido pela graça divina, defendeu Nosso Senhor perguntando-lhes: “Será que a nossa Lei julga alguém antes de ouvir ou saber o que ele fez?” (Jo 7, 51).

Percebe-se que a graça foi trabalhando essa alma. E quando da morte de Cristo, Nicodemos já se tornara um verdadeiro cristão. Ele se aproximou piedosamente do Sagrado Corpo levando “uns trinta quilos de perfume” (Jo 19, 39) a fim de colocar nas faixas de linho que O envolveram, antes de ser posto no túmulo.

E Nicodemos progrediu de tal modo na virtude que se tornou um santo. Sua memória é celebrada em 31 de agosto.
Após a conversa com Nicodemos, Jesus ficou algum tempo em Jerusalém; então encetou a viagem de volta para a Galileia, com seus discípulos.

Impressionada pela distinção e nobreza de Jesus 

Ao passar por uma cidade da Samaria, Jesus, cansado da viagem, sentou-se junto a um poço e seus discípulos foram comprar algo para se alimentarem. Em certo momento, veio uma samaritana para buscar água e Nosso Senhor pediu-lhe: “Dá-Me de beber!” (Jo 4, 7).

Os judeus consideravam os samaritanos como estrangeiros e não se relacionavam com eles, pois mantinham um culto diferente – chegaram inclusive a construir um templo no Monte Garizim; só aceitavam o Pentateuco, ou seja, os cinco primeiros Livros da Bíblia.

Mas o Redentor quis fazer bem a essa alma e, por meio dela, a toda a população da cidade. Iniciou-se, então, uma conversa onde se nota a simplicidade e a despretensão da samaritana. Ela perguntou a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” (Jo 4, 9).

Tendo o Divino Mestre lhe respondido: “Se conhecêsseis o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: ‘Dá-me de beber’, tu Lhe pedirias, e Ele te daria água viva”, a samaritana começa a tratar Jesus de Senhor (cf. Jo 4, 11).

Comentando essa mudança de trato de “tu” para “Senhor”, afirma o grande exegeta Pe. Fillion que a samaritana ficou impressionada não só pelas palavras, mas também “pela distinção e nobreza de Jesus”.

Sendo Deus, Jesus conhecia perfeitamente a vida moral dessa pobre mulher. E visando despertar sua consciência adormecida – mas não empedernida -, Ele diz à samaritana: “Vai chamar teu marido e volta aqui!”

– Eu não tenho marido, respondeu ela.

E Nosso Senhor acrescentou:

– Disseste bem que não tens marido. De fato, tiveste cinco maridos, e o que tens agora não é teu marido (cf. Jo 4, 16-18).

A divina pedagogia

Tendo o Redentor apontado claramente seus pecados, ela se converteu radicalmente e foi à cidade proclamar tudo que de grandioso vira e escutara. O resultado imediato desse apostolado foi extraordinário:

“Muitos samaritanos daquela cidade acreditaram em Jesus por causa da palavra da mulher que testemunhava: ‘Ele me disse tudo o que eu fiz’. Os samaritanos foram a Ele e pediram que permanecesse com eles; e Ele permaneceu lá dois dias.” E muitos outros se converteram ouvindo o próprio Jesus, e diziam: “Este é verdadeiramente o Salvador do mundo” (Jo 4, 39-42).

Essa samaritana, chamada Fotina, tornou-se depois uma santa. Conforme o antigo Martirológio romano, sua memória era celebrada em 20 de março.

Na divina pedagogia empregada por Nosso Senhor, quer com Nicodemos, quer com a samaritana, nota-se que Ele não escondeu nada, mas disse as verdades que precisavam ser afirmadas.

Assim deve agir o apóstolo com relação àqueles que deseja realmente atrair e santificar: “A verdade e o bem lhe são ensinados integralmente pela Igreja. Não é escondendo sistematicamente o termo último de sua formação, mas mostrando-o e fazendo-o desejado sempre mais, que se obtém dos homens o progresso no bem.”

Por Paulo Francisco Martos
(in “Noções de História Sagrada” – 152)
https://www.gaudiumpress.org/content/95832

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